Com a alta de fraudes digitais, especialista alerta para tentativas de golpe cada vez mais sofisticadas durante o maior evento de compras online do ano
A Black Friday 2025 acontece no próximo dia 28 de novembro e deve novamente movimentar bilhões em vendas no comércio eletrônico brasileiro. Mas o aumento das ofertas vem acompanhado de um crescimento proporcional no número de golpes digitais – muitos deles silenciosos, altamente elaborados e difíceis de identificar.
De acordo com dados da Serasa Experian, no evento de 2024 foram monitoradas 5,2 milhões de transações, que resultaram em R$ 3,5 bilhões em vendas. Ao mesmo tempo, 32,4 mil tentativas de fraude foram interceptadas, o equivalente a R$ 51,8 milhões em prejuízos evitados.
Para Washington Bruno, diretor de Segurança da Informação da Globalweb, o consumidor entra no período mais vulnerável do ano.
“Os golpes se intensificam quando o consumidor está com pressa, buscando ofertas imperdíveis. O phishing segue sendo o mais comum, mas hoje vem turbinado com inteligência artificial, o que torna as mensagens praticamente perfeitas”, alerta.
Golpes mais comuns na Black Friday 2025
Phishing com IA
Segundo Washington Bruno, a evolução do phishing é o que mais preocupa as empresas de segurança.
Mensagens falsas imitam notificações de lojas, bancos, transportadoras e carteiras digitais. “Hoje lidamos com textos impecáveis, gerados por IA, que se ajustam ao perfil da vítima. Isso reduz a desconfiança e aumenta a conversão do golpe”, explica.
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Sites falsos e clones de varejistas
Golpistas usam domínios com nomes parecidos com grandes marcas para captar clientes desavisados.
Muitos desses sites têm layout profissional e contam com sistemas de checkout funcionais — mas que direcionam o pagamento diretamente para contas fraudulentas.
QR Codes adulterados e fraudes via Pix
A fraude por QR Code tem crescido porque facilita pagamentos rápidos, sem revisão de dados.
Um QR Code adulterado pode levar o consumidor a um Pix que não corresponde à empresa.
Perfis falsos em marketplaces
Anúncios com preços muito abaixo do mercado atraem usuários que confiam na plataforma.
Depois do pagamento, o produto nunca chega.
Deepfakes de voz e imagem
Tecnologia antes restrita à indústria audiovisual hoje é usada para simular vídeos de influenciadores, atendentes e até “representantes” de lojas.
Quem está na mira dos golpistas?
O levantamento da Serasa mostra que a Geração Y (Millennials) foi o público que mais comprou na Black Friday 2024: mais de 2 milhões de transações. Esse também foi o grupo mais visado: quase 30% das tentativas de fraude foram direcionadas a esses consumidores.
No recorte por gênero, as mulheres compraram mais, mas os homens foram os principais alvos, comprovando que os golpistas analisam padrões de consumo para planejar suas ações.

Quando os golpes acontecem com mais força
O estudo aponta que o dia 29 de novembro foi o mais atacado da edição passada, repetindo uma tendência observada desde 2023.
Horários mais perigosos
- Maior volume de compras: entre 10h e 23h, com pico às 13h
- Maior número de golpes: entre 0h e 2h da manhã
- Pico de tentativa de fraudes: às 3h, quando a taxa dobrou e chegou a 2%
“É quando o consumidor está mais cansado, menos atento. O golpista sabe disso e atua com precisão. A fraude digital hoje tem planejamento e análise de dados por trás”, explica Washington Bruno.
Como se proteger na Black Friday 2025
As recomendações mais importantes incluem:
1. Desconfiar de ofertas muito abaixo do mercado
Golpes usam preços agressivos para criar urgência.
2. Checar o domínio do site
Sites legítimos usam endereços com certificado HTTPS e nomes oficiais.
3. Evitar clicar em links recebidos por SMS, WhatsApp ou e-mail
A regra é simples: acesse a loja digitando o endereço diretamente no navegador.
4. Verificar dados antes de pagar no Pix
Confira nome e CNPJ. No caso de QR Code, revise sempre o destinatário antes de confirmar.
5. Ativar autenticação em duas etapas
Isso vale para lojas, e-mails e bancos.
