Perspectiva de inflação dá sinais de alívio, mas o bolso confirma? Leia nossa análise
O mercado financeiro começou a semana ajustando levemente suas expectativas para a inflação no Brasil. Segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a previsão para o IPCA deste ano recuou para 4,36%, uma queda pequena, mas simbólica, já que vem se repetindo há algumas semanas.
Na prática, isso indica que os analistas enxergam um caminho um pouco mais controlado para os preços. Mas fica a pergunta: essa desaceleração aparece na sua rotina? No supermercado, no transporte, nas contas do mês?
O movimento de queda também aparece nas projeções dos próximos anos. Para 2026, a inflação esperada agora é de 4,1%. Já para 2027 e 2028, as estimativas apontam índices mais próximos do centro da meta, em 3,8% e 3,5%, respectivamente.
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Hoje, a inflação acumulada em 12 meses está em 4,46%, ainda dentro do intervalo tolerado pelo Conselho Monetário Nacional. Mesmo assim, alguns preços continuam chamando atenção. As passagens aéreas, por exemplo, pressionaram o índice mais recente, mostrando que o controle da inflação não é uniforme para todos os gastos.
Juros altos: remédio amargo, efeito lento
Para tentar manter os preços sob controle, o Banco Central segue usando um instrumento conhecido — e sentido no bolso: a taxa básica de juros, a Selic, mantida em 15% ao ano. É um patamar elevado, o mais alto em quase duas décadas.
Juros altos ajudam a conter a inflação, mas também encarecem o crédito, freiam o consumo e tornam investimentos mais cautelosos. É por isso que muita gente sente dificuldade para financiar um carro, parcelar compras ou tocar um pequeno negócio.
O próprio Banco Central admite que o cenário ainda inspira cuidado. A sinalização é de que os juros devem ficar altos por mais tempo, mesmo com a inflação dando sinais de trégua. O mercado aposta que uma queda mais consistente da Selic só deve acontecer ao longo de 2026.
Aqui vale outra reflexão: segurar os preços agora vale o custo de uma economia andando mais devagar?
Economia cresce, mas em ritmo moderado
O boletim Focus manteve a previsão de crescimento da economia brasileira em 2,25% neste ano. Não é pouco, mas também não empolga. Para os próximos anos, a expectativa é de um ritmo mais contido, com o PIB avançando perto de 2% ao ano.
O Brasil vem crescendo de forma contínua nos últimos anos, puxado principalmente pelos serviços e pela indústria. Ainda assim, esse crescimento nem sempre se traduz em melhora imediata da renda, do emprego de qualidade ou da sensação de segurança financeira das famílias.
E o dólar nessa história?
Outro ponto acompanhado de perto é o câmbio. A projeção do mercado indica o dólar em torno de R$ 5,40 no fim deste ano e R$ 5,50 em 2026. Um dólar mais alto costuma impactar preços de produtos importados, viagens e até custos de produção no país.
No fim das contas, os números do Focus mostram um cenário de ajustes graduais, não de virada rápida. A inflação parece menos pressionada, mas os juros seguem altos e o crescimento ainda caminha com cautela.
E você, leitor do JEP: a economia que aparece nos boletins é a mesma que você sente no seu dia a dia?
